SOMBRAS SOMENTE

03 novembro, 2006
  O MEU SER IMPERFEITO
NOTA DO AUTOR
Passei a semana enchendo o saco dos meus leitores com textos políticos. Resolvi então retornar essas linhas que estavam lá no fim do blog, na esperança de quebrar um pouco a monotonia das matérias.
Foram escritas no dia seguinte ao primeiro turno das eleições passadas.
No mesmo dia da postagem, recebi o email de um leitor amigo, procurando me lembrar, caso eu estivesse desatento, que Nietzsche era ateu.
Imediatamente retornei a mensagem, esclarecendo que por tudo que havia lido dele, ou sobre ele, era levado a crer que isso era uma inverdade.
Nietzsche procurava se mostrar descrente, na tentativa de desculpar a si mesmo por uma infância pecaminosa, envolta num ambiente de religiosidade luterana. Quando seus biógrafos afirmam que ele perde a fé durante a adolescência, esquecem o fatídico incesto ocorrido nessa época e que o perseguiu por toda a vida.
Vendo-se ainda muito jovem, atirado a duas forças tão antagônicas, talvez tenha desesperadamente procurado encontrar proposições existencialistas que de alguma maneira desculpasse ou ‘justificasse’ seus atos cometidos. A mesma postura filosófica que encontramos em Dimitri Karamazov ao sugerir que “se Deus não existe, tudo é permitido”.
Psicólogos podem explicar esse comportamento de defesa.
Nietzsche era amante do divino, sim, ou jamais ousaria buscar seu super-homem em Zaratustra.
Zoroastro é praticamente o pai, se assim posso dizer, do cristianismo e judaísmo. O Zoroastrismo é a primeira crença num deus único voltado à Ética. E muito provavelmente ele amou esse deus.
E não se pode amar, sem crer.





O MEU SER IMPERFEITO

Não sei porque voltei ao computador.
Já não tinha terminado a matéria do Sófocles?
Ela deve ter ficado puta da vida.
Mas como é que a distinta resolve me esperar sem calcinha?
Abro a porta do quarto, e ela lá...
Estendida de bruços sobre a cama desarrumada.
Um belo rabo, admito.
Mas sem calcinha?
Como uma mulher pode receber um homem sem a calcinha?
Só porque eu falei que sou louco por bundas?
A calcinha é tudo.
Ou, pelo menos, deve fazer parte desse tudo.
Uma mulher sem calcinha é como um quadro sem moldura.
Uma tela para ser manuseada ou transportada.
Para apreciarmos tem que estar emoldurada.
Mesmo quando maravilhosa, ainda precisa de moldura.
Brochei.
Brochei na hora.
Logo vieram os malditos números.
Assaltando o meu cérebro doentio.
Dei meia volta e saí devagarzinho.
Deve ter mesmo ficado puta da vida.
Que importa?
Agora tenho é que me livrar dos números.
E a maçaneta horizontal da porta do banheiro me faz ver o traço divisor de um fracionário.
Divido alguns que não possuem sobras.
Odeio quando sobra alguma coisa na divisão. Dá-me o aspecto de impureza.
O rolo do papel-higiênico em pé sobre a pia é um zero, mas não vejo como utilizá-lo em nada.
Os zeros não servem para nada.
Por que faz isso comigo, meu Deus?
A torneira da pia goteja e calculo a possível vazão d'água em uma hora de desperdício.
Já nem sei porque entrei no banheiro.
Volto ao computador e quase urino nas calças.
Será que ela ainda está me esperando?
Vai esperar pra caralho.
Já estou fazendo sexo com Euclides e Fermat.
Uma verdadeira suruba de teoremas, postulados e equações de todos os graus, sobre uma cama de forma algébrica perfeitamente desenhada.
A soma do quadrado dos cacetes não cabem na vagina da minha musa.
Como é que eu não ia brochar?
Estava em ponto de bala e a desgraçada lá, me esperando sem calcinha.
O que será que fez com ela...
Deve ter jogado em algum canto, mesmo.
Não deve ter nenhuma consideração por essa peça íntima.
Que jamais deveria ser íntima.
Deveria ser sempre compartilhada.
Mas não faz mal.
A bunda nem era tão bela assim.
Apenas volumosa e volume não é tudo.
Se fosse, elefante passava o dia todo enrabando sua fêmea.
Não faz mesmo muito mal.
Se ainda fosse a bunda da Luciana...
Se fosse a bunda da Luciana eu teria lambido até os pés da cama, antes de tocá-la.
Eu sempre encontro todos os sabores na bunda da Luciana.
Ela toda é como uma imensa salada de frutas.
Aprecio os seios como se fossem pêssegos frescos.
O ventre é todo manga e eu adoro mangas.
Se os deuses também possuem o hábito de almoçar, a sobremesa deve ser mangas.
A boca é como mangaba figos as vezes. E da xoxota desfilam os exóticos paladares do abiu e beribá, tão apreciados pelos nativos do Purus, Madeira ou Solimões.
Ela é mesmo toda tutti-fruti.
E nunca me espera sem calcinha.
O teclado do computador exibe números por todos os lados.
Deus manifestando-se por números.
Atrás de mim as minhas sombras.
Sombras de mim por toda a sala.
Sombras de mim se espalham por todos os lados.
Amanhã vou trocar a posição do abajur.
Agora vem a garota austríaca raptada.
Dormindo no quarto subterrâneo.
Toda a terra do mundo em cima dela, e ele descendo as escadas.
Quanto mais sinto toda a cena, mais creio que não houve mesmo apenas um simples rapto.
Mas ninguém nada percebeu.
A Psicologia não percebeu.
A Psicologia está perdida e talvez a síndrome de Estocolmo não exista.
A Psicologia pode estar errada.
Suzane von Richthofen matou os pais e a mãe era psicóloga.
Quando aquela bunda se for pela manhã, quero ficar três dias sem ver ninguém.
Vou me exorcizar.
Antes prego um aviso na cabeceira da cama.
PROIBIDO MULHER DEITAR SEM CALCINHA.
Minha mente desordenada.
Onze ao quadrado é cento e vinte um.
Cento e vinte um é número primo.
A soma de todos os números que compõem a seqüência de cento e vinte um é sete mil trezentos e oitenta e um, que só é divisível por onze. Mas isso não deve querer me dizer nada.
Eu saberia como pegar a Carla Cepollina na mentira.
Eles em nada usufruíram os telefonemas e, no entanto, a chave talvez estivesse ali.
Os telefonemas.
A comparação das chamadas nos últimos finais de semana.
Ficaria tudo perfeitamente claro, embora talvez não pudesse ser usado como prova no julgamento.
Seria prova circunstancial.
Mas as circunstâncias são tudo.
Analisar o comportamento de uma alma feminina aos sábados.
As mulheres mudam um pouco aos sábados.
O desejo aumenta um pouco aos sábados.
Os telefonemas de todos os sábados.
Comparar telefonemas e comportamentos.
Ainda posso me complicar com isso tudo.
Tudo é perigoso.
O amor é um perigo.
Eu amo os números primos.
E eles são meu maior perigo.
Eu queria ter o deus de Nietzsche.
O deus que nos acomete.
Não o deus onipotente.
Não o deus onipresente.
Estou todos os dias a brigar com o meu.
Pela manhã, acordo reclamando Dele ter deixado as criancinhas na rua sob o frio da madrugada.
As mulheres que sofreram abusos ou foram esbofeteadas pelos seus amantes.
Ter deixado o Collor, Maluf e Clodovil se elegerem.
Tudo obra Dele.
Mas ao cair da tarde, quando vejo o sol se por pela janela entreaberta, meu espírito conciliador e vulnerável ao belo, é corrompido.
Meu tom de revolta a Ele fica mais ameno.
E se a noite que entra trouxer consigo Luciana e todos os sabores que emanam de seu corpo, então volto a ser o humilde, extasiado, respeitoso e obediente servo do Criador.
Sou todo admiração por Ele.
Maravilhado pelo sensual sabor da jabuticaba.
Não tenho mesmo o deus de Nietzsche.
Sinto os números me abandonando agora.
Já quase não os vejo.
É um grande alívio.
Só estou pensando em Luciana.
Nas suas sinuosidades.
Outro dia ela quase me surra.
Eu gozo e logo pergunto a quanto fechou o dólar na Argentina.

Meu ser desprezível.

Meu ser disforme.

Incapaz de se revelar nos momentos certos.

O meu ser disperso.
O meu ser disperso, doente e desregrado.
O meu ser descabido.
O meu ser.

 
Comments:
Ah! Meu caro... os piores ritos são os que cumprimos por nós próprios. Onde começamos espírito e onde contamos nossas moedas? Do prático ao atávico ou vice-versa?
Espero que consigas os orgasmos certos, se certos orgasmos pudessem sê-lo. E que o suspiro ao seu lado - da imaginária musa - tenham o som da loucura. A lucidez não corre perigo, nem o perigo corre de você!
Gostei do que li!
 
Caro Sombras
Você não está mais sozinho.Acredito ter resolvido a suposição exposta em seu texto sobre CC.É brilhante, mas fica dificil de ser comprovada.
Vou procura-lo outro dia no orkut.
Aguarde-me.
 
Saboreando somente...
 
Busquei no Google o assunto de tal brochar. Meu caso é traumático. Arrumei uma namorada que era danada e eu era o donzelo abestalhado (ainda sou). Não foi bom. Tinha 17 anos. Pensava que as coisas iriam acontecer paulatinamente, mas no primeiro encontro a gata foi logo gemendo e eu não senti o pau cresce na mesma velocidade. Ali, já passei a pensar que tinha brochado e foi muito traumático. Ela acabou o namoro. Percebeu logo que eu não tinha competência. E eu fiquei com aquela impressão que até hoje me atormenta. Quando nomorei com minha mulher, há mais de vinte anos, tive todos os medos, mas tive um sucesso e mais um sucesso e terminei fazendo muito sexo reprimido. Eu, com minha mulher, não tenho o menor problema. Basta ela me tocar e eu tô pronto. Isso até hoje, depois de tanto anos de casado. Mas eu fiquei me devendo. Não consigo relaxar com uma nova parceira. Fujo dessa situação. Consigo com facilidade levar uma garota prá cama. Já fiz este teste, mas é muito frustrante. Brocho e fico puto com isso. Gosto da minha mulher e do sexo que fazemos, mas quero resolver esta neura. Quero transar com outras mulheres até eu dizer: tá bom, eu consigo! Não tenho coragem de tentar uma segunda vez, pois acho se brochar novamente, o constragimento será maior. Outra coisa é que as mulheres não são muito compreensíveis. Ficam caladas, não te apóiam. É foda! Por um lado quero conseguir o sucesso por outro fujo com medo do constrangimento. Ontem foi minha mais recente decepção. Conheci um garota legal e com 30 minutos ela me pedia para não levá-la em casa. Sou bom de papo. Fomos para o motel. Tentei ficar calmo e carinhoso, vomos tirando peça por peça, mais o bilau estava lá meia bomba e isso quando chega no cérebro, piora tudo. A bomba acaba-se por completo. Mais eu fui em frente. Obstinado. Ficamos nus. Fiz tudo o que era bom prá mim. O que eu faço com a minha mulher e me deixa com o maior tesão. Mas nada. O pau mucho. A garota percebeu e começou a mim chupar e eu tentei relaxar e foi subindo subindo e eu me animando. Tirei sua boca que senti que o mesmo tava durinho. E parti para melhorar as preliminares. Não deu 20 segundos e o bicho arriou novamente. Começo logo a sentir calor e tudo piora. Ela ficou calada, com os olhos fechados. Eta silêncio ruim danado!Tentei masturbá-la, mas ela tava travada. Eu compreendo. Parei e fiquei ao lado dela, pensando:mais uma vez. Nos abraçamos e eu fiquei paternalmente lhe fazendo carinho. Ela dormiu. Deixei-a em casa. Um beijinho aguado. Ela ainda me deu seu cartão. Pelo menos não baixou de tudo a minha auto-estima. O fato dela me dar o seu cartão, significou prá mim que a segunda chance seria possível. Só que eu não fiz contato. Tá ruim as coisas prá mim.
 
o que eu estava procurando, obrigado
 
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