A ARTIMANHA ZULU QUE OS BRASILEIROS NÃO PERCEBERAM
No auge da expansão do império britânico os ingleses travaram batalhas sem fim. Poucas vezes, contudo, encontraram artimanha das forças inimigas tão insólita quanto a dos zulus em meados do século XIX. Entrincheirados em terreno semi-aberto, n’alguma região do que é hoje a África do Sul, uma força da Coroa aguardava a primeira carga do feroz e inevitável combate com os nativos. Uma cantoria com percussão de lanças batidas nos escudos ecoou pela savana, e logo uma fileira de alguns guerreiros zulus avançou sobre a posição inglesa. Os invasores apontam os fuzis. Numa distância cerca de cem metros, no entanto, a fileira se transformou em linha e os zulus estacionaram e continuaram cantando e batendo nos coloridos escudos. O comandante do pelotão não hesita e manda abrir fogo contra o inimigo que permanece em pé e dançando. Zulus tombam no campo sem, contudo, em nada alterar a imóvel formação de ‘ataque’. O oficial inglês está estupefato. Não compreende. O inimigo se deixa abater sem reação. Passados alguns minutos os zulus dão meia volta e rapidamente somem da visão dos ingleses. O oficial fica ainda mais confuso. _ Que espécie de tática é essa que se deixam abater sem reação? _ indaga ao sargento que comanda a linha de fogo. _ Nunca vi nada parecido _ responde o militar. Um soldado próximo, atento à conversa, se arrisca: _ Senhor, se me permite, acho que eles estavam apenas procurando descobrir o nosso poder de fogo. _ Usando a própria vida? _ indaga novamente o oficial, ainda confuso. _ Estamos na África, Senhor. _ e volta o olhar para os corpos dos guerreiros zulus tombados de forma ‘inútil’. Semana passada o vice-presidente José de Alencar ousou sugerir o terceiro mandato consecutivo do presidente Lula, no que seria mais um golpe contra a nossa Constituição. O país inteiro, que não percebeu a tática zulu, reagiu de forma acanhada e humilde. Um ou outro de nossos parlamentares tomou alguma postura defensiva. O senador José Agripino declarou que as palavras do nosso vice-presidente foram infelizes. Brutal engano. Foram felicíssimas. O PT, seguindo a mesma tática dos nativos africanos que colocava apenas os guerreiros mais ‘fracos’ para testar o poder de fogo do inimigo, usou (é minha opinião) o nosso vice-presidente para ver a disposição e poder de luta dos que possam se opor à idéia. Observem como a manobra bem se encaixa: Pode haver cargo mais inútil do que o de vice-presidente? Tal função parece que serve apenas para desenlaçar as fitas que envolvem placas comemorativas em inaugurações de obras públicas. Ademais o nosso vice José Alencar nem sequer petista é. Que maravilha. Quem ‘sugeriu’ a permanência do PT no poder é de outra legenda (o que poderia até ser considerado uma traição a essa mesma legenda que, acredito, queira ter um candidato ao cargo de presidente nas próximas eleições). Se a declaração tivesse sido mesmo infeliz, acompanhada de uma forte reação, o PT sairia incólume, pois tal idéia poderia ser dito que não saiu de suas fileiras e não há como combater a ‘inútil’ função da vice-presidência. Acredito mesmo que os petistas usaram a artimanha zulu para testar o poder de fogo da oposição. E foram felizes. Devemos aguardar ‘novidades’ nos próximos meses. Triste de mim que, mesmo considerando esse governo como apenas mais uma das administrações corruptas com as quais já deveria estar acostumado, vejo-me na obrigação (ai, que dó) de reservar o meu voto (terceiro mandato imoral ou não) para o indigesto molusco que constantemente me furta o sono. O Lula (vendedor de cargos públicos) sempre terá o meu voto.
Incoerência? Nenhuma. Explico outro dia, contudo. Tenho ainda essa noite que desenhar labirintos, pois acredito que Dédalo não foi muito inteligente no engenho solicitado por Minos. Prometo que explico isso outro dia também.