SOMBRAS SOMENTE

14 março, 2007
  NÃO HÁ NADA DE JUSTO NA NOSSA JUSTIÇA


Eu tinha acabado de servir às Forças Armadas.
Era jovem e, como tal, repleto de ideais nobres.
Dado baixa das fileiras do Exército me deparei com a dificuldade comum ao brasileiro de conseguir emprego.
Depois de penosas semanas, fui ‘premiado’ com uma vaga em um escritório de contabilidade e lá fui lidar com as contrapartidas.
Nos primeiros dias tudo bem, mas logo começaram a surgir estranhas orientações pela minha chefia para manipular algumas despesas de determinadas empresas com o intuito de sonegação fiscal.
Educadamente procurei argüir sobre tal procedimento e meu chefe logo se prontificou a esclarecer-me que tais práticas eram usuais não só naquela empresa como em todas as outras, e que eu deveria compreender e me acostumar a isso, caso quisesse manter meu emprego.
De forma educada expus que não tinha nenhuma pretensão de obter meu sustento agindo de forma que não estivesse coerente com meus valores.
E novamente me vi nas penosas semanas em busca de outro emprego.
Como eu estava errado.
A cúpula de nosso Poder Judiciário está infestada de ‘profissionais’ que sonegam todos os valores de sua profissão e vivem, com regalias extraordinárias para um país miserável como o nosso, à custa de contribuintes sacrificados.
Pelo texto anterior a esse, “É Preciso Acabar Com Essa Justiça Social”, recebi vários emails insultuosos onde em alguns procuravam expor minha ignorância ao tema aludido, tentando me esclarecer que nossas leis não são feitas pelo Judiciário, e sim pelo Legislativo.
Uma desculpa vergonhosa, mas pelo menos fui poupado dos termos e expressões em latim.
Sim, caro leitor.
Uma desculpa esfarrapada.
Nossas leis são elaboradas pelo Legislativo, mas compete ao Judiciário verificar se são justas.
Há mecanismos legais para isso. O princípio da inconstitucionalidade é apenas um deles.
O nosso Poder Judiciário pode muito bem, e deveria, dedicar todos os seus esforços para anular leis ou mesmo projetos que são acintosamente inconstitucionais.
É obrigação dos desembargadores dos tribunais superiores que, inclusive prestam juramento à nossa constituição antes de assumirem seus cargos.
Não atentar a leis que ferem a já referida constituição por parte desses desembargadores é cometer, no mínimo, uma improbidade administrativa.
É preciso não ter nenhum valor moral para ocupar um cargo de extrema relevância social onde se presta um juramento e não o cumprir.
Nossos magistrados têm sim, culpa em nossas leis inconstitucionais.
E lembro ao leitor, que quando querem aumentar seus salários, bem fazem com que o Legislativo providencie amparo legal para isso.
Mas vamos passar ao objetivo principal desse texto que é dar continuidade ao anterior e discutir a prisão especial.
Primeiro é preciso esclarecer que qualquer prisão especial fere profundamente a nossa atual constituição. A que foi assinada por Ulisses Guimarães e teve uma direta proteção divina (ver texto “No Mínimo, Cabeças Ingênuas)”.
Ora, a prisão especial fere o artigo que reza “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
Então como podem ter direitos a prisão especial os ministros de Estado, os governadores, os vice-governadores, os prefeitos municipais, os secretários, os interventores de Estados ou Territórios, os chefes de Polícia, os vereadores, deputados federais, deputados estaduais, senadores, membros do Conselho de Economia Nacional, cidadãos inscritos no Livro de Mérito, oficiais das Forças Armadas, do Corpo de Bombeiros, magistrados, ministros de confissão religiosa, ministros do Tribunal de Contas, cidadãos que exerceram a função de jurado, guardas-civis dos Estados, jornalistas, diplomados por faculdade superior, os que possuem brevê de piloto, as cafetinas que arrumam ‘programas’ para nossos parlamentares e o jegue irmão do Genoíno que carrega dólares na cueca (crime previsto com pena de três a dez anos, mas que não deu em nada).
Resumindo: Prisão comum é só para pobre.
Façam uma boa análise dessa lista que nem completa está e vejam se não estou certo.
Um violento atentado ao artigo constitucional a que me referi.
E ouso dizer que quanto maior a hierarquia, essa prisão especial até deixa de existir. Ou quando muito, resume-se a ficar alguns dias em sua própria casa assistindo a um bom filme pornô.
Estou exagerando?
Cite-me então, apenas um parlamentar envolvido no esquema do ‘mensalão’ ou ‘sanguessugas’ que se encontra preso sob qualquer forma de encarceramento.
Vamos argumentar um pouco sobre a prisão especial, no entanto.
Salvo eu estar enormemente enganado tal prisão deveria ser utilizada a membros da sociedade que não se enquadram na lista acima.
Dou como exemplo o notório caso da infeliz Angélica Teodoro que foi presa (prisão comum) por furtar um pote de manteiga.
O ato desesperado dessa mulher não reflete o seu verdadeiro caráter. Furtou um pote de manteiga para não dar pão seco ao seu filho.
Qualquer idiota poderia dar como entendido que essa moça muito provavelmente não tem um perfil criminoso e talvez bem merecesse uma prisão especial.
Diria até que uma prisão bem mais especial. Com psicólogos e assistentes sociais que pudessem orientá-la e ainda a salvaguardar em outros aspectos, principalmente quanto à permanência em instituições prisionais com legítimos bandidos que de alguma forma pudesse transformá-la em um deles.
Isso sim é justiça.
Justiça em sua forma mais nobre.
Colocar uma pessoa que, num ato desesperado e por amor ao filho, cometeu uma transgressão em prisão comum, nada tem a ver com justiça, caro leitor.
Isso é atitude de salafrários.
Já conceder benefícios no encarceramento de quem sempre teve oportunidade na vida, vem de famílias abastadas, tem curso superior e excelente emprego, e assim mesmo resolve roubar a própria sociedade que lhe oferece privilegiada condição de vida, é imoralidade.
Tal elemento tem realmente um perfil criminoso.
Esse elemento dificilmente terá recuperação.
Tem tudo e prefere roubar.
A esse deve ser concedida a prisão especial?
Que afronta ao povo brasileiro.
Deputados, por exemplo, que vivem às custas do dinheiro do povo, na maior mordomia possível e que sem nenhum motivo ‘aceitável’ para cometer crimes, mesmo assim o fazem, principalmente contra o patrimônio público, esses sim, deveriam ir para prisão comum.
Esses são bandidos em potencial.
Nasceram para roubar.
Embora sejamos obrigados a tratá-los por autoridades não passam de bandidos da pior espécie.
Roubam pelo prazer.
Em alguns países asiáticos são condenados até à pena de morte.
E bem merecida.
Quando roubam o dinheiro público estão da mesma forma condenando à morte muitos de nossos cidadãos que precisam desse dinheiro em hospitais, por exemplo.
Estão condenando à ignorância nossas crianças que precisam dessa verba para a construção e manutenção de escolas.
No entanto, a esses, nossa justiça oferece uma prisão especial.
Que nojo.
Não a nós, brasileiros.
Nós apenas nos sentimos afrontados.
O nojo deve vir dos estudiosos dessa ciência extremamente importante em todos os âmbitos sociais que é o Direito e que de forma emporcalhada se encontra em nosso país.
Como no texto anterior a esse, peço minhas desculpas aos juízes de instâncias inferiores que ainda procuraram à custa até de suas próprias vidas honrar suas vocações.
Tais juízes bem ousaram prender os Maluf, Marcos Valério, Luiz Estevão e outros.
Prontamente nossos desembargadores providenciaram a soltura.
Ousaram ridicularizar o próprio manto latino onde procuram camuflar a estupidez ou desonestidade, tal qual as pomposas togas, quando resolveram criar ou recriar o ‘habeas corpus’ preventivo, como no caso do Marcos Valério.
Ora, ‘habeas corpus’ é uma expressão latina que significa corpo livre.
Como se pode conceder um corpo livre a um corpo que livre já se encontra?
A estupidez das togas que temos que venerar como autoridades máximas.
E o Sr. Marcos Valério, apenas suspeito de desviar mais de seis bilhões de reais, junto com vários membros de todos os nossos poderes constituídos, deve estar agora na difícil tarefa de escolher mais um cavalo árabe para dar de presente à sua filhinha que adora colecioná-los.
E isso é que me faz sempre lembrar da minha rápida passagem naquele emprego em um escritório de contabilidade.
Como eu estava errado.
Não pude conceber, nessa febril acomodação de valores da juventude, que talvez os empresários tivessem bons motivos para procurar subtrair impostos que acreditariam ser desviados ou manipulados de forma vergonhosa.
Não pude entender que ninguém gosta de sustentar bandidos com o seu próprio trabalho.
Que ninguém quer ver o suor de seus esforços usado na formação de quadrilhas.
E, não demora, sonegar impostos nesse país pode passar a ser um ato de patriotismo.
 
Comments:
Patria para quase todos, matria para uma minoria...
 
Caro Colega.... Parabens pelo seu texto, seu depoimento.
Aplausos!!!
 
Meu amigo
Achei que você não foi muito bem no texto anterior.
Até me decepcionei um pouco.
Mas nesse você retorna à sua maneira envolvente de expor suas idéias.
Um dia saberemos quem é você?
 
Com tantas pessoas com direito à "prisão especial", essa prisão acaba sendo uma "prisão comum". Afinal, especial é aquilo que é raro, que é único. E como só uma parcela específica da população tem acesso às celas "comuns", elas acabam virando as verdadeiras celas "especiais".

Paradoxal, né?
 
Bom o texto, acho q 90% das empresas hj em dia no brasil, sonegam,tanto pelo exagero de impostos, quanto pelo fato, de saberem q seu dinheiro sera mal utilizado.

Chega do governo ficar pagando bem parasitas, que alem disso ainda desviam a grana publica.

Eh porisso q eu digo, sonegar faz bem ao pais.
 
Aplausos a você! Belo texto. Seria bom se grande - toda, população tivesse essa ciencia, mas todos sabemos porque eles não tem , não é mesmo! Não seria interessante aos governantes ...

Parabens ...

Realmente um paradoxo!
 
Mas Angelica Teodoro é pobre!
Diferente dos politicos desonestos!
Eles tem muita grana e bons advoga
dos para defendê-los!
Aqui é o contrario no Brasil!
Policos são hipocondriacos são doentes!Terão bons advogados e bons psicologos se nescessario for!
Angelica só precisaria de uma oportunidade de trabalho que lhe dê a chance de provar sua dignidade de mãe e de mulher!
 
Concordo em gênero, número e grau...! Até parece que vc andou ouvindo algumas conversas minhas sobre o assunto!!
É por isso tudo que vc tão bem expôs que estão a dizer que "tanto no Legislativo quanto no Judiciário não há culpados, todos são cúmplices...".
 
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