SOMBRAS SOMENTE

02 dezembro, 2006
  NÃO SOU MESMO PATRIOTA

Há tempos desenvolvi um interessante estudo onde exponho alguns argumentos que talvez possam dar credibilidade à idéia de que o Tempo é anterior ao Criador.
Pena não poder expô-lo aqui.Além de ser por demais extenso, a complexidade do texto também desencorajaria os leitores.
A orientação em que tal hipótese se baseia é algo parecido em forma simplificada, à crença de que a Ignorância é igualmente anterior ao Homem.
Talvez isso possa parecer absurdo, mas acredite, não é. Ou, pelo menos, não é totalmente.
Mas não é esse o assunto que quero aqui tratar.Apenas o lembrei porque encontro em tal matéria alguns paralelos contidos na essência de patriotismo, fanatismo ou mesmo cidadania.
É assombroso como freqüentemente assistimos em matérias jornalísticas o estúpido fervor de muitos cidadãos imbuídos de uma extrema paixão por seus clubes, em disputas de futebol.
Alguns chegam até mesmo a matar ou morrer em verdadeiras batalhas campais, para defender as cores dos seus times preferidos.
Normalmente, a primeira coisa que me faz pensar, é sobre a completa ignorância que tais elementos possuem dentro de si.
Mais calmamente, no entanto, vislumbro a facilidade com que somos sujeitos a amar símbolos e suas variações, e que cientes de tal fraqueza, ‘estadistas’ aproveitam-se dela para arregimentar grandes massas em suas causas.
Hitler é um belo exemplo dessa verdade.
Todos nós sabemos que o nazismo, carente de uma filosofia utilitária, ou mesmo qualquer outra, baseado apenas nas teorias racistas do conde de Gobineau e nas teorias de supremacia de Nietzsche, aproveitou-se desse apego aos símbolos, principalmente com os conhecimentos e esforços de Joseph Goebbles, para produzir uma admirável alienação em seus membros e que resultou num fanatismo poucas vezes visto na História.
O que os nazistas amavam e glorificavam, nada mais eram que símbolos e dísticos.A quaternária suástica, a runa do lobo, a águia, os elementos do Leibstandart, o G de Guderian e tantos outros.
Da mesma forma, mata-se ou morre-se pelo Corinthians, Flamengo, Palmeiras ou outra merda qualquer, enquanto seus dirigentes permanecem em seus escritórios climatizados, deliciando-se dos frutos de tal estupidez.
Estupidez e estúpidos, sim.
Estúpidos homens alienados por uma admiração ainda mais estúpida, a meras flâmulas.
Mas não são os únicos estúpidos.
Todos nós somos.
Amar os símbolos nacionais é igualmente uma grande idiotice.E, diga-se de passagem, sendo esses símbolos os brasileiros, maior idiotice ainda, pois são tão mal feitos e vulgares que certamente devem causar um profundo mal-estar em quem estuda esse assunto.
O Hino Nacional é quase incompreensível pela grande maioria.
Nossa bandeira é um ridículo aglomerado de figuras geométricas (retângulo, losango, círculo), recheado de estrelinhas que ninguém sabe identificar, desenhada pelo pintor francês Jean Debret e com o lema de Auguste Comte, que igualmente não era brasileiro, centralizado.
Até eu imaginaria coisa melhor.
O brasão das Armas Nacionais é ladeado por dois ramos.O do café e o do fumo.
O que é estranho num país que diz combater o tabagismo.
O fumo faz parte de um dos nossos símbolos nacionais.
O supra-sumo da estupidez.
Mas não quero estender-me demais expondo os erros e incoerências em nossos símbolos.Eles são muitos.
Quero apenas alertar o leitor, se me permite, que veja com muito cuidado essas manifestações patrióticas que nos induzem a praticar e que nada mais servem do que sustentar uma pequena minoria em suas principescas condições de vida.
É muito bonita a frase de John Kennedy que diz “não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas sim, o que você pode fazer por seu país”.É realmente bela frase, mas benéfica somente para aqueles que vivem em grande abundância, produzida principalmente pelas pessoas humildes que nisso acreditam.
Pois um país não é nada.É mera demarcação territorial e geográfica, entre outros fatores.
Uma instituição não é nada.É mera congregação de normais estatuais.
Se alguma vez tiver que se perguntar alguma coisa, que seja “o que você pode fazer pelo Homem”.
Pois o Homem é tudo.
Só ele deve ser fruto de considerações ou mesmo fanatismos.
A nação que vá para as merdas.
Sobreviverá, assim mesmo.
 
Comments:
Meu amigo,
você disse com todas as letras, o que imagino esteja na essência de tudo: A vida, a ignorância, a inteligência, ou seja lá o que for, que a prepotência inventou serem "humanas" é um tremendo "faz-de-conta", só existem símbolos para desculpar ou indesculpável, como expiação. Corre-se atrás do que está fora da gente e ainda chamamos isto de essencial. Não é por nada que pessoas inteligentes têm a cara de pau de dizer: "eu me fiz sozinho" ou ainda, de se declararem diferenciados, cultos ou de QI (Quadrado Incipiente) privilegiado e , ao mesmo tempo,se orgulharem do seu bairrismo. mais uma vez você tocou fundo no que pouco se pensa e, claro, quem vende símbolos em vez de dignidade e cooperação, vai odiar!
Não desista! Abraços!
 
hmmm... Naturalmente, tudo isso é o senso de rebanho aflorado, estigma de quem deixa-se governar em qualquer âmbito.

Também procurei, e não encontrei em mim o tal senso de "patriotismo". Talvez advenha daí uma particular repulsa que nutro por extremismos.
 
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